sábado, 4 de abril de 2026

LUGAR SEM NOÇÃO

 

Uma frase profunda dita por minha mãe "demenciada" me fez filosofar descobrindo que na demência há muita filosofia.

 "Quero saber em que lugar a gente perde a noção das coisas"

 

Que lugar é este 

Que nos faz perder a noção das coisas  

Um lugar onde a gente perde a noção

Ou um lugar sem noção onde a gente se perde?

Será um lugar vazio

Ou cheio demais?

Será o silêncio ruim

Que faz barulho

Ensurdecendo o nosso SER?

Será a palavra "Mal Dita"

Ou a falta dela? 

Que lugar é este que muda o sentido

E a gente não sente mais

O que antes sentia

Quero saber que lugar é este

Onde a gente perde e se perde 

E, não tendo outro lugar para voltar

A gente não se encontra mais

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

BRINCADEIRA DE CRIANÇA

 

 Ainda existe um olhar em mim

Que rejeita esse seu jeito novo

Sujeito a indigestos afetos

Que afetam a aceitação

Que ainda se abate

Com rebates de ira

Que emergem de você.

Irada com sua ira

Sinto uma insuportável dor

Que talvez seja tua também

Quero me curar da repulsa

Daquilo que não tem cura em ti

Em meio a tantas faces doídas

Quero a sua face boa

Que vez ou outra se esconde de mim

Quero brincar de achar o que se perdeu

Nesse Chicotinho Queimado

Quisera eu ter o chicote

Que me dê o poder

De esconder e impedir achar

O que não quero ver e viver

Sem o chicote

Prefiro ficar fria

Do que me aproximar

Daquilo que queima a minha ferida

Talvez seja mais fácil

Ser a Cabra Cega

Usar a minhas vendas

Para me perder daquilo

Que não quero ver em ti

Ou brincar de Pique Esconde

Me esconder do lado feio

Que me tira de você




quarta-feira, 21 de agosto de 2024

SERIAL KILLER

 

]

Dedico esta poesia a este cão muito amado chamado "Chorão" e a tantos outros como ele envenenados pela maldade e  perversidade de um homem considerado "Homem de Bem" na minha pacata cidade mineira - Rio Casca.
Dedico a seus pais adotivos,  Aricele e Marcelo, pela acolhida, pelo amor profundo e incondicional e pela busca de justiça ao mal que lhe foi provocado.
Dedico ao meu cão Bidú, à minha gata Chica, ao meu gato Cotoco cujas evidências de suas mortes repentinas e inexplicáveis, indicam que, possivelmente, tenham sido, também, mais uma vítima deste lamentável mal. 
Dedico ao veterinário Lucas que não teve tempo de salva-lo, mas salvou tantos outros.
Dedico a quem se dispõe lutar pelos animais e  compartilhar a nossa luta, nosso amor e respeito a todos eles.

 

 Na minha procura
Por versos de amor
Tropecei no inverso
Sórdido perverso
Averso ao amor

Pelo mal travestido
Pelo dito e maldito
"Homem de bem"
Mais um amor se foi
Bendito amor

Chorão Manhoso
O mais carinhoso
Abraçava o amor
Com seu dengo choroso
Que Vira Lata amoroso!

Deste amor que se foi
Dentre tantos outros
Abandonados e acolhidos
Vai ficar a saudade
Várias histórias de amor

Fica o choro
De quem fica
A luta de quem perde
A denúncia de quem ama
Fica o asco ao carrasco

Na calada covardia
O carrasco se escarra
Peçonhento e perigoso
Age frio e sorrateiro
Inoculando seu veneno

No inferno ele reina
Com seu fogo incendeia
Incinera o amor
Com a  brasa sempre acesa
Nunca apaga o desamor

Seu "renomado anonimato"
Absolve o seu mal
Com tramas veladas
Afrontas seladas
Goza livre no final

Se pela justiça dos homens
A conta não chegar
Mais cedo ou mais tarde
A vida reedita e dita
Ao mal o seu mal